Um dia
a Terra há de perguntar-nos
por que razão confundimos progresso
com destruição
riqueza com desperdício
e poder com domínio
Perguntará pelos rios envenenados
pelas florestas reduzidas a cinza
pelos oceanos sufocados
sob o peso do plástico
e da nossa ganância
Perguntará pelas árvores
que tombaram sem voz
pelos animais que desapareceram
antes que os nossos olhos
aprendessem a reconhecê-los
pelas espécies condenadas
à memória de quem já não as verá
E talvez então percebamos
que o fogo que queimava as florestas
não era apenas fogo
era um aviso
Que o gelo que desaparecia
não era apenas gelo
era o silêncio
de um planeta a perder o equilíbrio
Que os mares que avançavam
sobre cidades e aldeias
não eram apenas água
eram a resposta
de uma natureza empurrada
para além dos seus limites
Furacões, secas, incêndios
chuvas que chegam como muralhas
calor que transforma o ar
numa fornalha invisível
terras onde a vida já luta
por uma gota de água
E no meio de tudo isto
há seres humanos correndo
fugindo
chorando pelos mortos
procurando nas ruínas
onde antes existiam casas
A Terra não está a vingar-se
está a reagir
Nós é que esquecemos
que a natureza não é nossa propriedade
e que somos apenas hóspedes
numa casa que julgámos eterna
Enchemos os céus de fumo
e perguntamos por que razão
o clima enlouqueceu
Ferimos o planeta
e chamámos-lhe acidente
quando ele começou a sangrar
Porque a Terra continuará
talvez sem nós
e essa será a mais terrível das ironias
não somos nós que estamos a salvar o planeta
é o planeta que
apesar de tudo
ainda nos está a dar uma última oportunidade
para salvarmos a nós próprios.
Mário Margaride
09-08-2026

Mas já vamos todos sendo castigados... Os elementos andam amuados. Bom hino ao bom senso, caro Mário Margaride.
ResponderEliminarUm abraço
Hola Mario. Ciertamente haces un recorrido a través de tus versos, de todo ese mal hacer del ser humano, que da impulsos desmedidos para acelerar un "cambio climático" que cada vez es más notable y preocupante; pero no estamos dando los gestos que lo limiten, con las acciones pertinentes y el control de las combustiones que en parte lo generan, para evitarlo, para intentar que su aceleración se atenúe. Gracias pro todo intentemos personalmente lo posible.
ResponderEliminarUn abrazo
Infelizmente será um grande interrogatório esse e a prestação de contas necessária!
ResponderEliminarPena ,cuidados não há!
Linda poesia!Parabéns!
abraços, chiuca
Mario querido, hermoso poema y real, es lamentable que todavía no tomemos conciencia, es un placer leerte.
ResponderEliminarQue pases un hermoso y feliz día
Besitos y todo mi cariño Mario
je viens te souhaite une douce nuit bisous
ResponderEliminarProfundo poema. Lastima que nosotros no aprendemos nada y nos matamos y matamos nuestro mundo. Te mando un beso.
ResponderEliminarA Terra não pergunta, ela chora...
ResponderEliminarQuando a TERRA nos perguntar alguma coisa, já estaremos a sete palmos abaixo da terra.
ResponderEliminarNova Tirinha Publicada. 😼
Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.
Um texto sobre salvar o homem de sua própria ilusão de que pode viver indefinidamente contra a natureza.
ResponderEliminarUn hermoso y excelente poema!!.
ResponderEliminarUn abrazo.
El planeta nos habla a pasos de gigantes. Me encantó el poema amigo Mario. Besitos
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