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segunda-feira, 30 de março de 2026

BALANÇA EMOCIONAL


Na nossa caminhada pela vida

onde os desencontros acontecem

e as frustrações nos desiludem

há os belos momentos

que jamais esqueceremos

 

São essas boas recordações  

essas memórias

que são o espelho, a essência

que reflete a nossa alegria

a nossa felicidade

no presente e no futuro

 

São elas, a nossa balança

que mede e pesa

o nosso equilíbrio emocional

nos momentos mais difíceis da nossa vida

 

Sem esses maravilhosos momentos

sem essas boas recordações

seríamos vagabundos perdidos

num imenso mar, de desilusões.

 

Mário Margaride

02-05-2022


sexta-feira, 27 de março de 2026

CIRCUITO DA VIDA


Quando olhamos para trás no tempo

desde aqueles momentos inocentes

da nossa meninice

onde o pitoresco se misturava  

com o perigo inconsciente da nossa infância

passando pelas aventuras arriscadas

da nossa imatura adolescência

onde tudo era euforia e irresponsabilidade

até à experiência e maturidade dos dias de hoje

 

Concluímos

 

Que são essas vivências

essas experiências

que são a essência

do nosso conhecimento

do nosso crescimento

neste universo complexo

do nosso dia a dia

que fazem de nós

quem somos

o que fazemos

e para onde vamos

neste percurso da vida

onde estas imagens

são telas únicas

que ficam guardadas para sempre

na galeria das recordações

das nossas memórias intemporais.

 

Mário Margaride

27-03-2026


segunda-feira, 23 de março de 2026

SERÁ QUE O AMOR VENCERÁ?

  

E se o amor, cansado de esperar

erguer a voz no meio do ruído

e disser ao ódio, sem gritar

“já chega de fazer do mundo um ferido”?

 

E se tocar a estupidez cega

não com desprezo, mas com luz

como quem, paciente, entrega

um caminho novo a quem não o conduz?

 

E se a raiva, chama desmedida

encontrar no amor um mar sereno

onde afogue a fúria incontida

e renasça em gesto mais ameno?

 

E se a guerra, feita de aço e dor

ouvir, por fim, o silêncio do abraço

e perceber que há mais valor

num encontro do que em qualquer cansaço?

 

E a ganância, trono vazio, frio

que promete tudo e nada dá

será que treme ao ver o fio

de um amor que nada quer, mas tudo dá?

 

Talvez o amor não vença de repente

nem cale o mundo num só instante

mas cresce, invisível, lentamente

no gesto simples, firme, constante

 

E se não vencer de uma vez só

vencerá aos poucos, em cada coração

porque onde o amor desfaz o nó

em cada um de nós

Talvez aí, quem sabe

comece a revolução.

 

Mário Margaride

22-03-2026


sexta-feira, 20 de março de 2026

O TRIUNFO DO RUÍDO

 

Ergue-se alto o grito oco

mais alto que a razão contida

um eco vazio, rouco

governando a mente perdida

 

A ideia calma é abafada

num mar de certezas gritadas

onde a dúvida é condenada

e as perguntas são apagadas

 

Vestem-se de convicção

os frágeis fios da ignorância

e chamam força à ilusão

de quem rejeita a distância

 

Distância de refletir

de pesar o certo e o errado

preferem logo ferir

do que ouvir o outro lado

 

E assim se tece o caos

não por falta de saber

mas por fechar os portais

a tudo o que é compreender

 

Não é a ausência de luz

que mergulha o mundo na escuridão

mas a mão que a própria reduz

com soberba e negação

 

E no meio do ruído imenso

onde o absurdo faz lei

ser lúcido é quase um incenso

que poucos queimam, eu sei.

 

Mário Margaride

19-03-2026


segunda-feira, 16 de março de 2026

QUANDO A SOLIDÃO É A NOSSA COMPANHEIRA

  

Nesta solidão onde me sento

a casa continua a respirar

mesmo quando ninguém responde

há copos que já não tilintam

cadeiras que aprenderam a esperar

 

Nos cantos da manhã

a luz entra devagar

como quem pede licença

a um coração que já foi festa

 

Houve um tempo

em que o telefone era um pássaro inquieto

em que nomes diferentes

habitavam os meus dias

como estações do ano

 

Amei com pressa

com incêndios

com promessas ditas de madrugada

que pareciam eternas

até à próxima despedida

 

Agora o silêncio

é um companheiro disciplinado

senta-se comigo à mesa

caminha ao meu lado na rua

deita-se na metade intacta da cama

 

Às vezes pergunto-me

se a solidão nasce

ou se cresce

nas cinzas de tantos abraços

 

Porque quem viveu rodeado de amor e paixão

não aprende facilmente

a arte de estar só

 

Fica-nos o eco

um riso no corredor da memória

um perfume que não regressa

uma palavra que ainda sabe

o caminho de volta ao peito

 

E no entanto

todos os dias acordo

e preparo café para um

 

Não é tristeza

é apenas a lenta aprendizagem

de existir

sem tempestades no coração.

 

Mário Margaride

12-03-2026


sexta-feira, 13 de março de 2026

AS COISAS QUE FICAM

 As saudades chegam devagar  

como quem pousa a mão no ombro  

e diz sem voz: "ainda estou aqui"  

 

Trazem o cheiro de um dia antigo  

um riso que já não ouvimos  

um nome que o tempo não apagou  

 

E nós seguimos  

mas nunca sozinhos  

há memórias que caminham ao nosso lado  

fiéis como sombras ao sol da tarde  

 

Às vezes doem  

às vezes aquecem  

mas sempre nos lembram  

que fomos feitos de encontros  

de perdas  

de instantes que não voltam  

e, mesmo assim, permanecem  

 

Porque viver é isto  

guardar dentro do peito  

um pequeno museu de eternidades  

onde cada lembrança  

é uma janela aberta  

para tudo o que nos moldou  

 

E quando a noite cai  

e o silêncio se estende  

é nelas que encontramos  

a prova mais simples  

de que sentir  

é a forma mais humana  

de existir.

 

Mário Margaride

11-03-2026


segunda-feira, 9 de março de 2026

SUSSURROS


As pedras sussurram quando as piso

Sussurrando entre si em tons difusos

Como se de repente...

Se esquecessem das palavras

Que estavam a dizer

 

O vento sopra de mansinho

Com medo de poder acordar-me do meu sonho

Neste torpor enfadonho que me inquieta

Nesta correria desenfreada

Que varre as minhas entranhas

Até ao mais profundo do meu ser...

 

Mário Margaride


sexta-feira, 6 de março de 2026

A FORÇA DA VERDADE


Há dias em que a mentira

veste roupas simples

e caminha entre nós

como se fosse necessária

 

Pequenas omissões

silêncios convenientes

histórias dobradas ao meio

para caberem no conforto

 

Mas a verdade

não sabe viver dobrada

nasce reta

como a luz da manhã

que entra pela janela

mesmo quando as cortinas

tentam detê-la

 

A mentira pesa

exige memória

máscaras

cuidado com cada palavra

 

A verdade não

ela respira

no gesto simples

de dizer “errei”

na coragem tranquila

de ficar de pé

quando seria mais fácil

curvar-se

 

Quem escolhe a verdade

não escolhe o caminho fácil

mas escolhe o chão firme

 

E no fim de cada dia

quando o silêncio chega

e ninguém mais nos observa

é a verdade

que nos permite

dormir

com o coração inteiro.

 

Mário Margaride

05-03-2026


segunda-feira, 2 de março de 2026

NOS ESCOMBROS DA DESTRUIÇÃO


Há um grito antigo preso na garganta do mundo

ecoando entre ruínas que já foram casas

entre ruas que aprenderam a soletrar o medo

antes mesmo de aprenderem o nome da paz

 

As guerras não começam apenas com tiros

começam com sementes de ódio

regadas em discursos inflamados

assinadas por mãos

que jamais tocam o campo de batalha

 

E então o céu

que devia ser azul promessa

rasga-se em fogo

cidades tornam-se pó

mapas tornam-se cicatrizes

e a humanidade desaprende o significado de abrigo

 

Em cada fronteira em chamas

da poeira que cobre vidas esquecidas

às avenidas que um dia brilharam sob néons

há mães que embalam silêncios

há crianças que desenham tanques

onde antes desenhavam árvores

 

A guerra não mata apenas corpos

mata futuros

mata idiomas inteiros

guardados na memória dos nossos avós

 

E quando o estrondo termina

fica o trabalho invisível da dor

reconstruir não só paredes

mas almas partidas

 

Talvez o maior desastre não seja a cidade caída

mas o hábito da violência

a normalidade do horror

o cansaço diante do sofrimento alheio

enquanto houver guerra

haverá um pouco menos de humano no homem

 

E, no entanto

entre escombros

há sempre alguém que partilha pão

que protege um estranho

que planta uma árvore no meio da devastação

 

Talvez seja aí

nesse gesto teimoso de cuidado

que a humanidade ainda resiste

ao pior de si mesma.

 

Mário Margaride

01-03-2026