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sábado, 27 de junho de 2026

FIOS INVISIVEIS

 

Há mãos que nunca vemos

mas que movem multidões

tecem sonhos e receios

governam mentes e nações

 

Vestem mantos de esperança

erguem bandeiras de salvação

prometem luz, justiça e mudança

enquanto moldam cada opinião

 

Nos altares e tribunas

entre púlpitos e palanques

nascem verdades oportunas

que erguem muros como tanques

 

A fé, quando é liberdade

faz do espírito um jardim 

mas

presa à falsa verdade

transforma o homem num fim

 

A política, quando é serviço

faz florescer a cidadania

mas 

rendida à sede do poder

cria ilusão e tirania

 

E assim caminham lado a lado

dogmas, lemas e ilusões

cada qual, por seu legado

reclamando as convicções

 

Pois todo o poder deseja

que ninguém ouse pensar

prefere um povo que veja

apenas o que lhe ensinar

 

Mas há uma chama discreta

imune à manipulação

a consciência desperta

livre de qualquer prisão

 

Que essa luz jamais se apague

mesmo em tempos de opressão

porque só o pensamento livre

quebra os fios da submissão

 

E é quando o homem pergunta

em vez de apenas aceitar

que a verdade se levanta

e começa, enfim, a libertar!

 

Mário Margaride

26-06-2026


terça-feira, 23 de junho de 2026

A FORÇA DAS PALAVRAS

  

As palavras são assim, nunca se calam

na mente inquieta da revolta

apenas descansam sua voz

da vergonha e do nojo, à sua volta

 

As palavras são a voz das injustiças

sempre firmes, acutilantes, destemidas

são o grito, mesmo mudo, que em silêncio

se levantam para gritar as suas feridas

 

As palavras são a voz de todos nós

da alegria, da  dor, da frustração

as palavras são o eco do sentir

que germina no nosso coração

 

São elas que falam em silêncio

que se esconde contido na garganta

da injustiça, da dor, da solidão

é com elas que o silêncio...se levanta!

 

Mário Margaride



sábado, 20 de junho de 2026

O EGO DA SOBRANCERIA

 

Ergue-se altiva a sobranceria

vestida de certezas sem razão

caminha sobre pontes de vaidade

e fecha as portas da compreensão

 

Fala alto, mas pouco escuta

impõe-se sem querer aprender

confunde força com domínio

e saber com mero parecer

 

Enche o peito de prepotência

não dá espaço para a contradizer

como se o mundo inteiro coubesse

na estreiteza do seu entender

 

E carregada de arrogância

julga antes mesmo de conhecer

ergue muros onde havia caminhos

e impede os encontros de florescer

 

Assim se perdem tantas vozes

tantos gestos de boa vontade

sufocados pela ânsia constante

de proclamar uma falsa verdade.

 

Mário Margaride

19-06-2026


segunda-feira, 15 de junho de 2026

OS OLHOS DO CORAÇÃO

 

Há uma linguagem sem voz nem palavra

que não se aprende em livros nem escolas

nasce serena, secreta e rara

e habita o brilho que os olhos desenrolam

 

Os olhos não mentem quando a alma fala

nem conseguem esconder o que o peito sente

são rios transparentes cuja corrente

leva a verdade que o coração embala

 

Neles mora a ternura dos afetos

a saudade vestida de silêncio

os sonhos guardados em recantos discretos

e a dor que resiste ao esquecimento

 

Um olhar pode ser abraço distante

porto seguro em mar revolto e frio

pode ser sol em manhã radiante

ou sombra perdida à beira de um rio

 

Quantas vezes os lábios se calam

mas os olhos contam a história inteira?

 

Quantas lágrimas neles se embalam

antes de caírem na face derradeira?

 

São eles a ponte entre o sentir e o mundo

o espelho fiel do que o coração encerra

revelam o amor mais puro e profundo

a esperança que floresce e a tristeza que erra

 

Por isso, quando olhares alguém de verdade

não escutes apenas a voz que se pronuncia

procura nos olhos a sua realidade

pois neles habita a mais sincera poesia

 

Porque os olhos são janelas iluminadas

abertas para os segredos da emoção

e mostram, mesmo quando estão caladas

a forma exata de bater de um coração.

 

Mário Margaride

14-06-2026


sexta-feira, 12 de junho de 2026

VIAGEM


Caminhamos sempre nesta estrada

por entre a inquietação e o prazer

nas margens desta estrada que circunda

tudo aquilo que tivemos que viver

 

São trilhos que nem sempre nos agradam

mas a vida se encarrega de os dar

para neles prosseguirmos a viagem

até o nosso caminho encontrar

 

Viagens que fazemos vida fora

por estradas sinuosas e com dor

seguindo nosso trilho nosso rumo 

em busca do nosso sol...do nosso amor.

 

Mário Margaride

11-06-2026


terça-feira, 9 de junho de 2026

MAR DE DESENCANTO

 

São turbulentas as águas que nos banham

num bailar contínuo das suas ondas

batendo violentamente na praia

rasgando as areias da alegria

num vai e vem descontrolado

 

Ventos sopram de rajada

levando consigo

a alegria e o encanto

devastado pelas ondas

deste mar tremendo e assustador

 

Neste mar de desencanto

despejamos nas suas águas

a tristeza, a dor...a frustração.

 

Mário Margaride

20-01-2020


sábado, 6 de junho de 2026

A SOMBRA DA VERDADE

 

Não chegam com gritos de guerra

nem com bandeiras ao vento erguidas

chegam em passos suaves, de veludo

por entre palavras polidas

 

Vestem a mentira de lógica

dão-lhe um rosto respeitável

e repetem-na tantas vezes

que parece inevitável

 

Não negam a luz de repente

apagariam suspeitas demais

preferem cobri-la de névoa

com subtis sinais

 

É um bombardeamento constante

gota a gota sobre a razão

até que a falsidade se acomode

como hóspede no coração

 

Os factos tornam-se incómodos

pedras no caminho traçado

por isso são contornados em silêncio

retocados, reorganizados

com enorme devoção

 

E quem procura a verdade

entre o ruído e a encenação

vê-se perdido num labirinto

sem mapa, sem direção

 

Pois a fraude mais perigosa

não é a que se impõe pela força

é a que se insinua mansa

e a cada dúvida, reforça a ilusão

 

 

Mas a verdade tem raízes profundas

mesmo sob camadas de engano

pode ser abafada por um tempo

mas não desaparece do quotidiano

 

E um dia, por entre as ruínas

das narrativas construídas

ergue-se nua e persistente

para cobrar contas às mentiras

 

Porque a sombra pode ser longa

e ocultar o sol por instantes

mas nenhuma noite fabricada

vence para sempre os seus diamantes.

 

Mário Margaride

05-06-2026


terça-feira, 2 de junho de 2026

A REVOLTA SILENCIOSA


Há uma revolta que em nós habita

feita de fogo contido e de amargura

quando vemos os senhores do mundo

erguerem impérios sobre a desventura

 

Enquanto isso, nas ruas da vida

há quem carregue a fome nos braços

quem enterre sonhos ainda vivos

quem caminhe perdido entre estilhaços

 

E nós

espectadores involuntários

com o coração pesado de razão

sentimos crescer uma tempestade

presa nas grades

da nossa condição

 

Porque dói saber

e nada poder mudar

dói compreender

e não poder impedir

ver a injustiça vestir-se de lei

e a verdade

tantas vezes sucumbir

 

Há gritos que não chegam aos palácios

lá onde o poder raramente escuta

e há lágrimas que secam sozinhas

na longa espera de uma justa luta

 

Mas a revolta não é só desespero

é também a chama que insiste em arder

a recusa em aceitar como normal

aquilo que nunca deveria acontecer

 

E enquanto houver um coração atento

uma consciência que não se vende ao medo

os senhores do mundo nunca possuirão

o mais valioso dos nossos segredos

 

A força discreta dos que resistem

mesmo sem exércitos ou posição

porque a mudança chegará um dia

na revolta contida...dentro do coração.

 

Mário Margaride

01-06-2026


segunda-feira, 1 de junho de 2026

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA


Embora o dia da criança seja todos os dias

aqui fica este poema dedicado a todas as crianças do mundo.


Beijos e abraços!


SÓ TU DOCE CRIANÇA



Nas tuas mãos um papel

Pode ser de mil cores

Um soldado sem quartel

Ou um jardim com flores

 

Um avião que não pousa

Uma bala que não mata

Um cavalo sem arreata

Que não conhece senhor

 

Um irmão com quem tu brincas

À apanha, e ao pião

Um pão quente que tu trincas

Como só se trinca o pão

 

Pai que te faz companhia

Nos teus sonhos sempre belos

Uma mãe quente e macia

E que te afaga os cabelos


Tudo quanto a vista alcança

E possas imaginar

Que só tu doce criança

Consegues reinventar.

 

Mário Margaride