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domingo, 22 de fevereiro de 2026

É NA VERDADE E NA SOLIDARIEDADE QUE O AMOR SE SUSTENTA

  

No silêncio

onde dois corações se encontram

não é o brilho passageiro que sustenta o amor

mas a verdade

dita com mãos abertas

sem máscaras

sem medo

sem disfarce

 

A verdade

é ponte firme sobre o abismo das dúvidas

que o tempo insiste em cavar

é luz que não fere

mas revela

e ao revelar

fortalece o olhar

 

A solidariedade

é o gesto que antecede a palavra

é dividir o peso quando o mundo pesa demais

é permanecer quando a tempestade sopra

é ser abrigo...

e também cais

 

É dizer “teu problema é nosso”

é transformar dor em travessia

é compreender que amar não é posse

mas presença que se oferece dia após dia

 

E a confiança...delicada e poderosa

é o chão invisível que sustenta os passos

não se impõe, cultiva-se em cuidado

em promessas cumpridas, em laços

 

Ela é o descanso do coração inquieto

é a certeza serena no meio do caos

é saber que, mesmo na ausência

há lealdade morando entre nós

 

Quando a verdade

solidariedade e confiança

entrelaçam-se como fios de um mesmo tear

o amor deixa de ser apenas chama

e torna-se casa onde é seguro habitar

 

Porque amar

no mais profundo sentido

não é apenas sentir

é escolher permanecer

 

É construir

com mãos honestas e firmes

um “nós” que aprende, erra

e volta a crescer.

 

Mário Margaride


 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

QUANDO AINDA HÁ LUZ

  

Quando o mundo pesa nos ombros

e a noite parece não ter fim

quando o vento frio da perda

atravessa a alma assim

há algo que insiste

pequeno como chama em brasa

mas firme como raiz antiga

que rompe o chão e não se arrasa

é a esperança

 

Ela não grita

não vence pela força

não impede a tempestade

mas ensina o coração a ficar

 

E quando tudo é cinza e ruína

quando os sonhos parecem pó

surge o amor, silencioso

segurando o que restou de nós

 

Amor que costura feridas

com mãos invisíveis e pacientes

que transforma lágrimas em rios

capazes de seguir em frente

 

Amor que é abrigo no inverno

que é pão repartido na escassez

que é presença quando tudo falta

que é recomeço outra vez

 

Porque enquanto houver alguém

que estenda a mão na escuridão

enquanto um coração disser “fica”

e outro responder “não solto”

haverá sempre amanhã

 

E mesmo trêmula

mesmo ferida

mesmo pequena

a esperança florescerá

no solo mais improvável

alimentada pela força indestrutível...

...do amor.

 

Mário Margaride

15-02-2026


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

AQUELE ABRAÇO

 

Há um idioma que não se aprende nos livros

nem se conjuga em verbos

vive na pele

o abraço

 

É ponte lançada quando as palavras desabam

é casa improvisada no meio da tempestade

é teto de braços cobrindo

a nudez do medo

 

E quando o mundo pesa nos ombros

e a coragem se esconde em algum canto escuro

um abraço chega

como quem diz

“Fica, eu aguento contigo”

 

Ele não resolve contas

não desfaz perdas

não apaga ausências

mas sustenta o que ameaça ruir

 

Há fragilidades que só se atravessam assim

peito contra peito

coração ouvindo coração

respirações tentando encontrar

um mesmo ritmo

 

No abraço

a dor deixa de ser solitária

divide-se

e, ao dividir-se

fica menor

 

É estranho

como dois corpos podem criar

um espaço onde o medo se aquieta

e a esperança reaprende a caminhar

 

E em momentos de queda

o abraço não é fuga

é raiz

é lembrança silenciosa

de que ninguém precisa ser forte

o tempo todo

 

Porque há dias

em que a maior forma de coragem

é simplesmente

deixar-se envolver.

 

Mário Margaride


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

PARTÍCULAS AO VENTO

  

São pequenas partículas

que o vento arrastou pelo ar

ninguém as consegue ver

mas vieram para ficar

 

Não têm cor nem têm brilho

mas têm a força inquietante

para nos causar imensa dor

a todo e qualquer instante

 

Vagueiam em voo livre

pelos céus da intolerância

não têm coleira ou trela

seguem pelos céus da ganância

 

E neste percurso Infindável

nas estradas sem sinais

as partículas se alastram

neste mar de vendavais

 

E os ventos fustigando

em todas as direções

deixam marcas bem profundas

na raiz dos corações.

 

Mário Margaride


 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A VOZ E A FORÇA DESTRUIDORA DA NATUREZA


Quando o céu se rasga em gritos de trovão

a noite desce mais cedo sobre as casas

o vento aprende nomes

chama por portas mal fechadas

arranca telhados como quem arranca memórias

 

A chuva não cai, invade

entra pelas ruas

pelos pulmões da terra

leva fotografias

cartas antigas

o pouco pão que sobrou na mesa

 

Cada gota pesa como um presságio

as árvores tombam em silêncio brutal

os rios esquecem as margens

e a água, que antes dava vida

agora cobra dívidas antigas

com juros de medo e lama

 

Há vozes presas nos andares baixos

olhos acesos na escuridão

mãos que seguram crianças

como se segurassem o próprio mundo

à beira de se desfazer

 

E entre escombros e sirenes cansadas

as populações aprendem de novo

a palavra recomeço


É pesada, frágil, mas necessária

para reconstruir abrigo

com o que restou

 

Quando a tempestade partir

não leva só nuvens

fica o chão ferido

ficam os nomes por contar

fica o eco dos que não voltam mais...

 

Mário Margaride

05-01-2026