No cimo da serra
o vento chamava
e a estrada, de pedra
os pés maltratava
Cada passo era um grito
calado no chão
cada sombra, um teste
à força do coração
A liberdade não nasce
em jardins serenos
nem dança ao abrigo
dos dias amenos
Ergue-se na lama
no frio cortante
no medo que avança
no peito constante
Há correntes sem ferro
prisões sem muralha
silêncios impostos
batalhas sem batalha
E quem a procura
conhece o preço
perder o conforto
recusar o tropeço
Muitas vezes parece
miragem distante
um farol escondido
no nevoeiro errante
Mas há sempre uma chama
discreta e teimosa
que floresce na rocha
mais árida e pedrosa
Liberdade é subida
é corte, é ferida
é cair sete vezes
e escolher a vida
É romper com o medo
rasgar a prisão
e seguir, mesmo só
com o sol na mão
Porque no fim da estrada
além da montanha
não há ouro, nem trono
nem glória tamanha
Há apenas o espaço
de um peito a respirar
e a certeza infinita
de poder caminhar.
Mário Margaride
24-04-2026
VIVA O 25 DE ABRIL!
VIVA A LIBERDADE!





