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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

VOZ DO SILÊNCIO

  

No silêncio da noite

onde o meu corpo tão cansado

nos lençóis se deita

o sono o engole, destroçado

num silêncio onde os sonhos, o enfeita

 

Amo todos os sonhos que se calam

de corações que sentem e não falam

tudo que é infinito e pequenino!

 

Asa que nos protege a todos nós

soluço imenso, eterno, que é a voz

do nosso grande e mísero destino!

 

Mário Margaride


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

QUANDO A ESTUPIDEZ INSISTE EM FALAR

 

A estupidez fala alto

não porque saiba mais

mas porque o silêncio do bom senso

não compete com o grito


Ela marcha de peito inchado

orgulhosa da própria ignorância

confundindo convicção

com verdade


O bom senso senta-se no seu canto

espera, pondera, respira

não viraliza

não provoca aplausos fáceis

não cabe em frases curtas


A razão tenta argumentar

com dados, lógica e cuidado

mas tropeça na pressa

na vaidade que não escuta

na certeza vazia

de quem não duvida

e tem a arrogância que tudo sabe


E assim a estupidez reina

simples, confortável, absoluta

não pergunta, afirma

não aprende, repete


Enquanto isso

o pensamento crítico

vira suspeito

a dúvida vira fraqueza

e pensar demais

passa a ser defeito


Mas ainda há resistência

um olhar atento

uma pausa antes do julgamento

uma mente que aceita não saber


São sementes frágeis

é verdade

mas é delas que nasce um futuro

que valha a pena viver.


Mário Margaride

29-01-2026




segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CULPA DO QUE NÃO FOI

                                              

                    Há culpas que não gritam

não quebram nada

não deixam marcas visíveis


Sentam-se quietas ao nosso lado

e perguntam, baixinho

“E se?”

É a culpa do silêncio

quando a voz era necessária

do abraço que ficou nos braços

do “fica” engolido

do “eu te amo” adiado

até ser demasiado tarde


Culpa estranha essa

que não nasce do erro

mas da ausência


Do passo que não demos

por medo do chão

do risco que evitámos

para salvar uma paz

que nunca foi inteira


Ela pesa de forma diferente

não dói no momento

dói depois


Dói quando o tempo passa

e percebemos

que não fazer

também foi uma escolha


Carregamos fantasmas

do que poderíamos ter sido

do que quase dissemos

do que quase salvámos

do que quase fizemos


Talvez viver seja isso

aprender que a culpa maior

não é cair

mas nunca ter tentado voar.


Mário Margaride

                             25-01-2026




sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

HARMONIA E CAOS

 

                  No princípio, o silêncio respira

linhas suaves desenham o ar

a harmonia caminha descalça

ensinando o mundo a escutar


Tudo encontra o seu ritmo secreto

o passo, o pulso, a maré

cada coisa sabe o seu lugar

mesmo sem nunca o dizer


Mas o caos desperta inquieto

tempestade sem direção

rasga mapas, quebra espelhos

grita dúvidas e inquietação


Onde a harmonia constrói pontes

o caos aprende a ruir

onde há ordem, ele provoca

para se afirmar, para existir


Deste choque nasce o movimento

da fenda brota a luz

o caos desafia o equilíbrio

a harmonia o reconduz


E assim dançam, opostos unidos

no eterno jogo do viver

sem caos não há mudança

sem harmonia, não há o ser.


Mário Margaride

22-01-2026


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

PORQUE SERÁ?


A cidade dorme, num sono profundo

lá fora…amanhece rapidamente

corre uma brisa, que nos desperta

do torpor do sono


A azáfama, começa de repente

a correria...toma conta das nossas vidas

absorvendo-nos

engolindo-nos

mais uma vez…


Esquecemos o que nos rodeia

nem sequer, olhamos para o lado

não temos tempo!?

ou simplesmente não queremos ver...!


Ali...alguém que pede esmola

acolá...uma criança abandonada

mais abaixo...um sem abrigo

que há muito perdeu a esperança


É assim na minha cidade

em todas as cidades

em todos os lugares

a história repete-se

esquecemos sempre

o que se passa à nossa volta

como se não víssemos

ou então…

pura e simplesmente ignoramos


Estaremos cegos…!

ou à nossa volta

criamos uma barreira glaciar

que nos gelou…

e nos tornamos insensíveis…!?


Porque será?


Mário Margaride