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sexta-feira, 22 de maio de 2026

QUANDO A ILUSÃO SE VESTE DE REALIDADE

 

Há amores que chegam

 entram devagar na casa da alma

como quem traz abrigo

como quem conhece o nome secreto

de todas as nossas feridas

 

E nós acreditamos

Ah, como acreditamos

 

Porque a ilusão

quando se veste de amor verdadeiro

não parece mentira

parece destino

 

Ela aprende os nossos silêncios

decora os nossos vazios

acende pequenas lanternas

nos corredores escuros do peito

 

E então caminhamos

descalços

entregues

convencidos

de que finalmente

a felicidade deixou de ser horizonte

para virar morada

 

Mas há promessas

que nascem já partidas

 

Há braços que abraçam

com a mesma força

com que empurram depois

 

E um dia

sem aviso

o amor que jurava salvar-nos

transforma-se na pedra

amarrada aos tornozelos da esperança

 

Tudo começa a ruir devagar

os sonhos primeiro

depois a confiança

depois aquela luz tranquila

que tínhamos no olhar

 

A felicidade

torna-se estrada interrompida

uma ponte suspensa sobre o vazio

 

E nós, no meio dela

tentando entender

em que instante o paraíso

aprendeu a ferir

 

Talvez o pior da ilusão

não seja a mentira

 

Talvez seja o facto

de ela usar exatamente o rosto

daquilo que mais desejávamos encontrar

 

E ainda assim…

mesmo depois dos escombros

há qualquer coisa dentro de nós

que continua respirando baixo

quase em segredo

 

Porque o coração

esse teimoso

mesmo devastado

nunca deixa completamente

de acreditar na manhã seguinte

 

E talvez seja aí

entre os destroços do engano

que a verdadeira felicidade

recomece

não como sonho perfeito

mas como alguém que aprendeu

a sobreviver à tempestade

sem deixar morrer a ternura.

 

Mário Margaride

20-05-2026


segunda-feira, 18 de maio de 2026

A VOZ SUSSURANTE DO SILÊNCIO

  

Há silêncios

que atravessam a pele

com mais força

do que qualquer grito

 

Silêncios demorados

olhos presos uns nos outros

onde tudo é dito

sem que a boca se mova

 

Porque existem palavras

que nascem frágeis

insuficientes para traduzir

o peso exato do sentir

 

Mas o silêncio…

o silêncio nunca mente

 

Ele permanece no intervalo

de duas mãos que não se tocam

na despedida contida

de quem queria ficar

 

Há um silêncio profundo

nos amores impossíveis

na saudade escondida

atrás de um sorriso cansado

 

E há também

o silêncio raro dos que se entendem

quando duas almas conversam

sem precisarem de voz

 

Às vezes

uma única pausa carregada de emoção

diz mais sobre o amor

a perda ou o desejo

do que mil frases perfeitas

 

Porque certas verdades

não sabem habitar palavras

 

Vivem quietas

intensas

no lugar invisível

onde o silêncio fala.

 

Mário Margaride

17-05-2026


sexta-feira, 15 de maio de 2026

NO CHÃO ÁRIDO DE SEIVA

  

No chão árido de seiva

onde as raízes não medram

ervas daninhas se multiplicam

neste chão infestado de ilusões

 

Árvores caídas

no chão moribundo de esperança

onde as folhas secas do desânimo

voam sem rumo

pelos céus insanos

das inquietantes incertezas

 

Ventos sopram impiedosos

sobre as frágeis e vulneráveis árvores

já velhas e cansadas

da sua resistência infindável

contra as intempéries da desilusão

 

Na imensa e abandonada floresta

no chão árido de seiva

choram as sementes do futuro

neste deserto deprimente

onde mora a frustração.

 

Mário Margaride

14-05-2026




segunda-feira, 11 de maio de 2026

A VIDA NA SUA CAMINHADA

 

As marés se enchem 

de ondas cristalinas beijando a praia

com sorrisos de amor dançando na areia 

ao ritmo de samba

nas margens das águas

e ao seu sabor


Os ventos fustigam 

em tons suaves

nas margens do tempo 

no mar da esperança 


As marés são o norte

a bússola, a estrada

o caminho a seguir 

nas asas do vento


O sol nos sorri

nos motiva e aquece

e a nossa caminhada... 

cresce e fortalece.


Mário Margaride 

11-05-2026


sexta-feira, 8 de maio de 2026

NOS SUBÚRBIOS MAIS ESCONDIDOS DA ALMA

 

Nos subúrbios mais escondidos da alma

se encontram os ecos das nossas incertezas

os gritos dos nosso silêncios

as cicatrizes das nossas dores

as alegrias que insistem em calar-se

 

Nos subúrbios mais escondidos da alma

habitam fantasmas enraizados

que insistem em deambular nas suas profundezas

onde a incerteza e a escuridão

não permitem vislumbrar

 

Nos subúrbios mais escondidos da alma

há um mundo complexo...por desbravar.

 

Mário Margaride

04-05-2026