E se o amor, cansado de esperar
erguer a voz no meio do ruído
e disser ao ódio, sem gritar
“já chega de fazer do mundo um ferido”?
E se tocar a estupidez cega
não com desprezo, mas com luz
como quem, paciente, entrega
um caminho novo a quem não o conduz?
E se a raiva, chama desmedida
encontrar no amor um mar sereno
onde afogue a fúria incontida
e renasça em gesto mais ameno?
E se a guerra, feita de aço e dor
ouvir, por fim, o silêncio do abraço
e perceber que há mais valor
num encontro do que em qualquer cansaço?
E a ganância, trono vazio, frio
que promete tudo e nada dá
será que treme ao ver o fio
de um amor que nada quer, mas tudo dá?
Talvez o amor não vença de repente
nem cale o mundo num só instante
mas cresce, invisível, lentamente
no gesto simples, firme, constante
E se não vencer de uma vez só
vencerá aos poucos, em cada coração
porque onde o amor desfaz o nó
em cada um de nós
Talvez aí, quem sabe
comece a revolução.
Mário Margaride
22-03-2026




