Somos gestos dispersos no tempo
partículas que se diluem no ar
somos tudo e nada ao mesmo tempo
um barco à deriva em alto mar
Somos filhos do vento que nos leva
nas suas asas voamos sem destino
carregamos nos ombros já cansados
o mais obsceno e pesado desatino
Somos frágeis e fortes sem saber
dançamos ao som de bombos e cornetas
em passos desajeitados sem compasso
no palco onde tocam pandeiretas
Nesta valsa que dançamos sem saber
lá vamos bailando aos trambolhões
com par ou sozinhos muitas vezes
nas mais embrulhadas situações
Neste mundo louco sem juízo
lá vamos caminhando alucinados
cantando a mesma música à desgarrada
numa amálgama de tons...desafinados.
Mário Margaride
30-04-2026





