Há um lugar sem céu nem horizonte
onde a razão se cala, lenta e fria
não é um reino de sombras da noite
mas da ilusão que finge ser o dia
Ali habita a arrogância altiva
vestida com o manto da certeza
fala bem alto, impõe a sua voz
mas desconhece a força da nobreza
Ao seu lado caminha a estupidez
de olhos fechados, sem querer olhar
tropeça sempre na mesma verdade
e culpa o mundo por não a encontrar
Mais além, senta-se a ignorância
que rejeita a luz por vaidade
confunde opinião com conhecimento
e faz da mentira uma falsa verdade
As três erguem um trono invisível
nos recantos mais frágeis do pensar
alimentam o ego, cegam a consciência
e ensinam o homem a não questionar
Então nasce um limbo silencioso
onde nada parece ter valor
a realidade torna-se distante
encoberta pelo medo e pelo rancor
Mas basta uma centelha de humildade
uma pergunta feita com sinceridade
para romper as grades da ilusão
e devolver à mente a liberdade
Porque só quem admite que não sabe
abre espaço para o conhecimento florescer
e é na coragem de procurar a verdade
que a alma começa, enfim, a renascer.
Mário Margaride
11-07-2026




