As saudades chegam devagar
como quem pousa a mão no ombro
e diz sem voz: "ainda estou aqui"
Trazem o cheiro de um dia antigo
um riso que já não ouvimos
um nome que o tempo não apagou
E nós seguimos
mas nunca sozinhos
há memórias que caminham ao nosso lado
fiéis como sombras ao sol da tarde
Às vezes doem
às vezes aquecem
mas sempre nos lembram
que fomos feitos de encontros
de perdas
de instantes que não voltam
e, mesmo assim, permanecem
Porque viver é isto
guardar dentro do peito
um pequeno museu de eternidades
onde cada lembrança
é uma janela aberta
para tudo o que nos moldou
E quando a noite cai
e o silêncio se estende
é nelas que encontramos
a prova mais simples
de que sentir
é a forma mais humana
de existir.
Mário Margaride
11-03-2026




