Há uma revolta que em nós habita
feita de fogo contido e de amargura
quando vemos os senhores do mundo
erguerem impérios sobre a desventura
Enquanto isso, nas ruas da vida
há quem carregue a fome nos braços
quem enterre sonhos ainda vivos
quem caminhe perdido entre estilhaços
E nós
espectadores involuntários
com o coração pesado de razão
sentimos crescer uma tempestade
presa nas grades
da nossa condição
Porque dói saber
e nada poder mudar
dói compreender
e não poder impedir
ver a injustiça vestir-se de lei
e a verdade
tantas vezes sucumbir
Há gritos que não chegam aos palácios
lá onde o poder raramente escuta
e há lágrimas que secam sozinhas
na longa espera de uma justa luta
Mas a revolta não é só desespero
é também a chama que insiste em arder
a recusa em aceitar como normal
aquilo que nunca deveria acontecer
E enquanto houver um coração atento
uma consciência que não se vende ao medo
os senhores do mundo nunca possuirão
o mais valioso dos nossos segredos
A força discreta dos que resistem
mesmo sem exércitos ou posição
porque a mudança chegará um dia
na revolta contida...dentro do coração.
Mário Margaride
01-06-2026

https://novocatecismocatolico.blogspot.com/
ResponderEliminarMuito linda tua poesia! E infelizmente cada um de nós é expectador involuntário de tantas coisas que nunca desejaríamos ver!
ResponderEliminarabraços, chica