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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CULPA DO QUE NÃO FOI

                                              

                    Há culpas que não gritam

não quebram nada

não deixam marcas visíveis


Sentam-se quietas ao nosso lado

e perguntam, baixinho

“E se?”

É a culpa do silêncio

quando a voz era necessária

do abraço que ficou nos braços

do “fica” engolido

do “eu te amo” adiado

até ser demasiado tarde


Culpa estranha essa

que não nasce do erro

mas da ausência


Do passo que não demos

por medo do chão

do risco que evitámos

para salvar uma paz

que nunca foi inteira


Ela pesa de forma diferente

não dói no momento

dói depois


Dói quando o tempo passa

e percebemos

que não fazer

também foi uma escolha


Carregamos fantasmas

do que poderíamos ter sido

do que quase dissemos

do que quase salvámos

do que quase fizemos


Talvez viver seja isso

aprender que a culpa maior

não é cair

mas nunca ter tentado voar.


Mário Margaride

                             25-01-2026




38 comentários:

  1. Extraña culpa esta
    Eso no nace del error
    pero de la ausencia...
    ¡Qué bonito, Mario! Tienen mucha razón de ser estos versos.
    Un abrazo y feliz lunes.

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    1. Olá, Marisa
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e ótimo dia!

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  2. A culpa que não se vê nasce da ausência e do que não dissemos | fizemos. Não é o erro que dói, mas aquilo que ficou por fazer. Viver é aceitar que a responsabilidade não está em cair, mas em não ter tentado voar.
    Boa noite 😘

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    1. Olá, amiga Teresa
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e ótimo dia!

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  3. Amigo Mário, boa noite de Paz!
    Carregamos culpas inúteis, muitas vezes.
    Já outras, são pertinentes e precisamos nos redimir ou retratar.
    Uma temática poética de "gente grande ".
    Tenha dias novos abençoados!
    Abraços fraternos

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    1. Olá, amiga Roselia!
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e ótimo dia!

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  4. A duvida do "E SE" é foooooooooogo.... Adorei tuas colocações em versos! Bela poesia. Linda tua participação lá no sementes,obrigadão! abraços, ótima semana, chuica

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    1. Olá, amiga chica.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e ótimo dia!

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  5. Mario, hermoso poema, el que no arriesga no gana.
    Hay que intentarlo todo, aunque nos equivoquemos.
    Es una delicia leerte Poeta
    Que tengas días maravillosos
    Besos Mario

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    1. Olá, amiga Mathilde.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e ótimo dia!

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  6. Profundo poema uno se arrepiente de lo que no hace. Te mando un beso.

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    1. Olá, amiga Alex.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e ótimo dia!

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  7. Un testo che racconta il rimorso più sottile e devastante: quello dell’assenza, delle parole e dei gesti non osati, che non feriscono subito ma tornano a pesare col tempo.
    Un saluto

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    1. Olá, amiga Silvia.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e ótimo dia!

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  8. Excelente, meu amigo, excelente ...essa culpa , por vezes, dói muito, sim !

    Te abraço com carinho e amizade, tudo de bom .

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    1. Olá, amiga São.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos carinhosos e ótimo dia!

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  9. Muy buen poema lleno de profundidad.
    Un abrazo.

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    1. Obrigada, amiga Amalia, pela leitura e comentário.
      Beijinhos e bom fim de semana.

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  10. Mário, o teu poema toca fundo. Fala daquela culpa silenciosa que não nasce do erro, mas do medo — de não dizer, de não amar, de não ousar. Mostras com delicadeza que a vida se constrói tanto pelo que fazemos como pelo que deixamos de fazer. Essa dor mansa do “quase” todos a conhecemos: o abraço que ficou suspenso, a palavra que não saiu a tempo. No fim, percebo contigo que viver é arriscar, que a verdadeira queda é nunca tentar voar. Há nestes versos uma coragem serena e uma humanidade que comovem.

    Saludos

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    1. Obrigada, amigo Joselu, pela leitura e comentário.
      Abraço e bom fim de semana.

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  11. Querido amigo Mario, tú poema es intenso y profundo. Quiebra el alma como un silencio que te aplasta.
    A veces la vida nos sorprende sobremanera.
    Un abrazo

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    1. Obrigada, amiga Nuria, pela leitura e comentário.
      Beijinhos e bom fim de semana.

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  12. O tempo é implacável e não devemos desperdiçá-lo com arrependimentos.

    Nova tirinha publicada. 😺

    Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

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    1. Grato, caro Garfield Tirinhas, pelo comentário.
      Abraço e bom fim de semana!

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  13. É verdade, a vida é um rol de lamentações do que poderíamos ter feito.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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    1. Olá, amigo Juvenal.
      Muito obrigado, pela leitura e comentário.
      Bom fim de semana!
      Abraço de amizade.

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  14. Bom dia, Mário, retornando devagar. Linda e verdadeira poesia. A culpa normalmente nasce do que deixamos de fazer; até na desculpa que não demos. Muito show! Luz e paz

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    1. Boa tarde, amiga Sonya.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e bom fim de semana!

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  15. Boa noite, meu amigo Mario,
    Que poema profundo…
    Você expressa tão bem a culpa silenciosa,
    os "quase" e as escolhas não feitas,
    esses fantasmas que nos pesam sem deixar cicatriz.
    Obrigada por essas palavras que tocam o coração e nos encorajam a ousar, mesmo que timidamente.
    Tenha uma boa noite, meu amigo.
    Um beijo perfumado das minhas flores celestiais

    Veronique

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    1. Boa tarde, amiga Veronique.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e bom fim de semana!

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  16. Olá, amigo Mário, belíssimo poema, você foi no ponto, quantas vezes sentimos certa culpa e que na verdade não tem razão de existir? Há gente que se sente tão mal que parece que está se massacrando, uma culpa sem razão alguma!
    Belíssimo poema a navegar pelos sentimentos humanos.
    Adorei, e o final, fechou com chave de ouro!

    "Talvez viver seja isso
    aprender que a culpa maior
    não é cair
    mas nunca ter tentado voar."

    Beijo, amigo, muita paz por aí.

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    1. Boa tarde, amiga Tais.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e bom fim de semana!

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  17. Olá, amigo Mario, um poema magnífico, que gostei
    muito de ler.
    Parabéns, Poeta!
    Uma boa semana,
    Abraços.

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    1. Boa tarde, amigo Pedro.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Abraço e bom fim de semana!

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  18. Um poema sublime!
    As culpas assolam por vezes o nosso pensamento e inquietam o coração.
    Beijinhos

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    1. Boa tarde, amiga Maria.
      Muito obrigado, pela leitura e gentil comentário.
      Beijinhos e bom fim de semana!

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  19. Mario, o teu poema é uma lucidez que dói e desperta. Mostras como o ruído da estupidez ocupa o espaço onde o bom senso respira em silêncio. As tuas palavras têm o ritmo sereno da razão que não desiste, mesmo quando parece inútil argumentar. Há ternura na forma como descreves a resistência: pequena, discreta, mas viva. Esse “olhar atento” e essa “pausa antes do julgamento” são hoje gestos de coragem. Que bom ler-te, porque lembras que o pensar — mesmo cansado — ainda pode florescer entre as ruínas do grito.

    Abraço

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  20. Sabio pensar...
    a mi ver la culpa de nada sirve , quien se mete en ella
    se estanca para siempre...nada bueno
    puede crecer de la culpa...solo incertezas...
    el alma debe saber descansar...
    abrazos.

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