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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

CULPA DO QUE NÃO FOI

                                              

                    Há culpas que não gritam

não quebram nada

não deixam marcas visíveis


Sentam-se quietas ao nosso lado

e perguntam, baixinho

“E se?”

É a culpa do silêncio

quando a voz era necessária

do abraço que ficou nos braços

do “fica” engolido

do “eu te amo” adiado

até ser demasiado tarde


Culpa estranha essa

que não nasce do erro

mas da ausência


Do passo que não demos

por medo do chão

do risco que evitámos

para salvar uma paz

que nunca foi inteira


Ela pesa de forma diferente

não dói no momento

dói depois


Dói quando o tempo passa

e percebemos

que não fazer

também foi uma escolha


Carregamos fantasmas

do que poderíamos ter sido

do que quase dissemos

do que quase salvámos

do que quase fizemos


Talvez viver seja isso

aprender que a culpa maior

não é cair

mas nunca ter tentado voar.


Mário Margaride

                             25-01-2026




2 comentários:

  1. Extraña culpa esta
    Eso no nace del error
    pero de la ausencia...
    ¡Qué bonito, Mario! Tienen mucha razón de ser estos versos.
    Un abrazo y feliz lunes.

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  2. A culpa que não se vê nasce da ausência e do que não dissemos | fizemos. Não é o erro que dói, mas aquilo que ficou por fazer. Viver é aceitar que a responsabilidade não está em cair, mas em não ter tentado voar.
    Boa noite 😘

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