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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

NA JANELA DOS NOSSOS OLHOS


Na janela dos nossos olhos

onde as sombras infestam o ar

abram-se as persianas do tempo

para a nova aurora chegar

neste mundo escuro, sombrio

onde mora e dorme o frio

e o sol não tem lugar

 

Na janela dos nossos olhos

abram-se caminhos de esperança

para a luz poder caminhar

neste céu cor de carvão

onde sombras pairam no ar

trepam paredes

e se espalham no chão

 

Na janela dos nossos olhos

deixemos uma frincha aberta

para que a luz sempre desperta

ilumine a escuridão....

 

Mário Margaride


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

AS PAREDES SE FECHAM EM SILÊNCIO


As paredes de fecham em silêncio

nas vozes sufocadas

do grito que não grita


No vazio que infesta o ar

o silêncio fala

da vida que não vive


As partículas esvoaçam pelo ar

como folhas ao vento

levando nas suas asas

o pranto mudo 

preso na garganta

esculpido nas paredes encardidas

das vozes mudas

da nossa indignação.


Mário Margaride

17-10-2025

Feliz fim de semana!

Beijos e abraços!

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

A UTOPIA DA PERFEIÇÃO


 Perfeição...

busca incessante e perversa

montanha impossível de escalar

onde muitos e muitos em vão

tentam por tudo alcançar

 

Aquele caminho sem arestas

sem desvios

marcha reta

sem surpresa

como espelho sem suspiros

 

Na busca da perfeição

perde-se o que é real

a falha doce do riso

o tropeço natural

 

Quem nunca erra

não vive

quem não chora

não se dá

a beleza não é rígida

é torta, viva

a definhar

 

A utópica perfeição

sem janelas pra sonhar

é um caminho sem caminho

sem estrada para andar

 

Mas a imperfeição…essa dança!

com pés assentes no chão

é um caminho a percorrer

onde a alma vai morar.

 

Mário Margaride



sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O LASTRO DA ILUSÃO


 Na rua estreita da mente vazia

se prometem mundos

sem chão nem razão

e na noite escura 

caminha sorridente a ilusão

vestida de dia

com olhos pintados

de falsa paixão

 

A irresponsabilidade, rindo ao lado

foge do peso, do tempo, do fim

atira promessas num dado viciado

vive de instantes

sem rumo 

sem sim

 

Constrói castelos de vento e espuma

cada passo

um salto no sono

onde o real se afoga e se esfuma

e em cada escolha

um eco sem dono

 

Mas quando a névoa enfim se dissipa

resta o vazio, o rastro, o lamento

e a verdade, nua, se precipita

de quem trocou vida por fingimento.

 

Mário Margaride


Feliz fim de semana!

Beijos e abraços!

domingo, 5 de outubro de 2025

CRIANÇA

 Donzela doce criança

sofres contida, tua dor

porque te tratam assim

não tens direito ao amor…!

 

Sofres dor que não querias

grita quando ela te dói!

grita sempre não te cales!

a dor contida, corrói…

 

Mário Margaride

04-2007