Há uma linguagem sem voz nem palavra
que não se aprende em livros nem escolas
nasce serena, secreta e rara
e habita o brilho que os olhos desenrolam
Os olhos não mentem quando a alma fala
nem conseguem esconder o que o peito sente
são rios transparentes cuja corrente
leva a verdade que o coração embala
Neles mora a ternura dos afetos
a saudade vestida de silêncio
os sonhos guardados em recantos discretos
e a dor que resiste ao esquecimento
Um olhar pode ser abraço distante
porto seguro em mar revolto e frio
pode ser sol em manhã radiante
ou sombra perdida à beira de um rio
Quantas vezes os lábios se calam
mas os olhos contam a história inteira?
Quantas lágrimas neles se embalam
antes de caírem na face derradeira?
São eles a ponte entre o sentir e o mundo
o espelho fiel do que o coração encerra
revelam o amor mais puro e profundo
a esperança que floresce e a tristeza que erra
Por isso, quando olhares alguém de verdade
não escutes apenas a voz que se pronuncia
procura nos olhos a sua realidade
pois neles habita a mais sincera poesia
Porque os olhos são janelas iluminadas
abertas para os segredos da emoção
e mostram, mesmo quando estão caladas
a forma exata de bater de um coração.
Mário Margaride
14-06-2026

Poema muito bonito e sentido. Gostei especialmente da ideia dos olhos como ponte entre o coração e o mundo, porque muitas vezes um olhar diz realmente mais do que muitas palavras. Há versos cheios de ternura e sensibilidade que nos fazem refletir sobre tudo aquilo que sentimos e nem sempre conseguimos expressar. 🌷
ResponderEliminarBeijinho na alma,
Daniela Silva | Alma Leve