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sexta-feira, 1 de maio de 2026

ALUCINAÇÃO COLETIVA


Somos gestos dispersos no tempo

partículas que se diluem no ar

somos tudo e nada ao mesmo tempo

um barco à deriva em alto mar

 

Somos filhos do vento que nos leva

nas suas asas voamos sem destino

carregamos nos ombros já cansados

o mais obsceno e pesado desatino

 

Somos frágeis e fortes sem saber

dançamos ao som de bombos e cornetas

em passos desajeitados sem compasso

no palco onde tocam pandeiretas

 

Nesta valsa que dançamos sem saber

lá vamos bailando aos trambolhões

com par ou sozinhos muitas vezes

nas mais embrulhadas situações

 

Neste mundo louco sem juízo

lá vamos caminhando alucinados

cantando a mesma música à desgarrada

numa amálgama de tons...desafinados.

 

Mário Margaride

30-04-2026



5 comentários:

  1. Excelente , Mário !

    Te abraço com carinho e amizade, feliz Maio e alegre feriado , meu amigo.

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  2. Un valzer stonato che però ci tiene vivi, sospesi tra fragilità e ostinazione.
    Buona giornata

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  3. Somos quase nada diante do TODO e nos "achamos"... Linda poesia e mesmo cantando desafinados, não deixemos de seguir e cantar pela vida! abraços, feliz MAIO! chica

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  4. Que poema profundo e melancólico. Ele pinta um retrato muito humano da nossa existência: essa mistura de fragilidade, caos e a tentativa persistente de „bailar“ mesmo quando a música parece desafinada. Senti que o poema toca em pontos centrais da condição humana. As „partículas que se diluem no ar" e os „gestos dispersos" evocam como somos passageiros e, muitas vezes, fragmentados pelo tempo. O peso do destino: o „barco à deriva“ e o „pesado desatino" mostra aquela sensação de que nem sempre temos o leme nas mãos, mas seguimos carregando as nossas histórias. Dançar ao som de bombos e cornetas, em passos desajeitados, é uma metáfora belíssima para como lidamos com as crises do „mundo louco“ Continuamos a caminhar, mesmo „alucinados“.

    Que este mês de maio 🌹 lhe traga: Leveza para enfrentar os desafios do dia a dia. Cores para alegrar os seus momentos, mesmo os mais simples. Boas energias para atrair apenas o que lhe faz bem.

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  5. Sí, somos con todo lo que lleva el dicho somos.
    Podemos ser muchas cosas, buena y menos buenas, pero seguimos siendo, pero no podemos ser todo.
    Precioso el poema, para reflexionar
    Feliz viernes.
    Un abrazo Mario

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