Somos gestos dispersos no tempo
partículas que se diluem no ar
somos tudo e nada ao mesmo tempo
um barco à deriva em alto mar
Somos filhos do vento que nos leva
nas suas asas voamos sem destino
carregamos nos ombros já cansados
o mais obsceno e pesado desatino
Somos frágeis e fortes sem saber
dançamos ao som de bombos e cornetas
em passos desajeitados sem compasso
no palco onde tocam pandeiretas
Nesta valsa que dançamos sem saber
lá vamos bailando aos trambolhões
com par ou sozinhos muitas vezes
nas mais embrulhadas situações
Neste mundo louco sem juízo
lá vamos caminhando alucinados
cantando a mesma música à desgarrada
numa amálgama de tons...desafinados.
Mário Margaride
30-04-2026

Excelente , Mário !
ResponderEliminarTe abraço com carinho e amizade, feliz Maio e alegre feriado , meu amigo.
Un valzer stonato che però ci tiene vivi, sospesi tra fragilità e ostinazione.
ResponderEliminarBuona giornata
Somos quase nada diante do TODO e nos "achamos"... Linda poesia e mesmo cantando desafinados, não deixemos de seguir e cantar pela vida! abraços, feliz MAIO! chica
ResponderEliminarQue poema profundo e melancólico. Ele pinta um retrato muito humano da nossa existência: essa mistura de fragilidade, caos e a tentativa persistente de „bailar“ mesmo quando a música parece desafinada. Senti que o poema toca em pontos centrais da condição humana. As „partículas que se diluem no ar" e os „gestos dispersos" evocam como somos passageiros e, muitas vezes, fragmentados pelo tempo. O peso do destino: o „barco à deriva“ e o „pesado desatino" mostra aquela sensação de que nem sempre temos o leme nas mãos, mas seguimos carregando as nossas histórias. Dançar ao som de bombos e cornetas, em passos desajeitados, é uma metáfora belíssima para como lidamos com as crises do „mundo louco“ Continuamos a caminhar, mesmo „alucinados“.
ResponderEliminarQue este mês de maio 🌹 lhe traga: Leveza para enfrentar os desafios do dia a dia. Cores para alegrar os seus momentos, mesmo os mais simples. Boas energias para atrair apenas o que lhe faz bem.
Sí, somos con todo lo que lleva el dicho somos.
ResponderEliminarPodemos ser muchas cosas, buena y menos buenas, pero seguimos siendo, pero no podemos ser todo.
Precioso el poema, para reflexionar
Feliz viernes.
Un abrazo Mario