Há um grito antigo preso na garganta do mundo
ecoando entre ruínas que já foram casas
entre ruas que aprenderam a soletrar o medo
antes mesmo de aprenderem o nome da paz
As guerras não começam apenas com tiros
começam com sementes de ódio
regadas em discursos inflamados
assinadas por mãos
que jamais tocam o campo de batalha
E então o céu
que devia ser azul promessa
rasga-se em fogo
cidades tornam-se pó
mapas tornam-se cicatrizes
e a humanidade desaprende o significado de abrigo
Em cada fronteira em chamas
da poeira que cobre vidas esquecidas
às avenidas que um dia brilharam sob néons
há mães que embalam silêncios
há crianças que desenham tanques
onde antes desenhavam árvores
A guerra não mata apenas corpos
mata futuros
mata idiomas inteiros
guardados na memória dos nossos avós
E quando o estrondo termina
fica o trabalho invisível da dor
reconstruir não só paredes
mas almas partidas
Talvez o maior desastre não seja a cidade caída
mas o hábito da violência
a normalidade do horror
o cansaço diante do sofrimento alheio
enquanto houver guerra
haverá um pouco menos de humano no homem
E, no entanto
entre escombros
há sempre alguém que partilha pão
que protege um estranho
que planta uma árvore no meio da devastação
Talvez seja aí
nesse gesto teimoso de cuidado
que a humanidade ainda resiste
ao pior de si mesma.
Mário Margaride
01-03-2026

Qué cierto todo lo que escribes, Mario.
ResponderEliminarLas guerras traen muertes y las personas que siembran las semillas del odio, esas justamente, son las que nunca tocan el campo de batalla.
Genialmente expresado. Felicidades.
Un abrazo y feliz día.
Embora eu compreenda a actualidade do poema, digo simplesmente que os escombros da destruição são memórias de perdas, ruínas que lembram o passado, a fragilidade humana e a necessidade de reconstrução. Em silêncios, o caos revela ares de renascimento.
ResponderEliminarUm apelo à paz 🕊️
Poema lindo, bem estruturado e triste é a guerra que parece não ter fim! Até quando? abraços, linda semana,chica
ResponderEliminarProfundo poema. La guerra no hace más que destruir el mundo mientras solo unos pocos se benefician. Te mando un beso.
ResponderEliminarBoa noite Mário,
ResponderEliminarUm poema magnífico sobre a atualidade, em que os poderosos, usam a guerra por tudo e por nada.
Uma tristeza infinda, não haver diálogos, consensos, para evitar tal calamidade.
Por este andar não sei o que nos espera, principalmente as novaa gerações, cujo futuro não se afigura nada risonho.
Desejo-lhe uma boa semana.
Emília
Olá, Mário, que poema maravilhoso, cheio de verdades!
ResponderEliminarO mundo está envolto em ódio, mandam mísseis, e acabam
com crianças e gente inocente que nada têm a ver com
as loucuras, com tanto ódio e gente que só vê um sentido em suas vidas:
o poder! Os imperadores do mundo. A coisa está se alastrando muito e rapidamente, não sei no que vai dar. Pobre planeta.
Aplausos para um poema de tantas verdades.
Beijo e paz, amigo.
Every war destroys a little bit of each of us, pacifist people.
ResponderEliminar(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.