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segunda-feira, 2 de março de 2026

NOS ESCOMBROS DA DESTRUIÇÃO


Há um grito antigo preso na garganta do mundo

ecoando entre ruínas que já foram casas

entre ruas que aprenderam a soletrar o medo

antes mesmo de aprenderem o nome da paz

 

As guerras não começam apenas com tiros

começam com sementes de ódio

regadas em discursos inflamados

assinadas por mãos

que jamais tocam o campo de batalha

 

E então o céu

que devia ser azul promessa

rasga-se em fogo

cidades tornam-se pó

mapas tornam-se cicatrizes

e a humanidade desaprende o significado de abrigo

 

Em cada fronteira em chamas

da poeira que cobre vidas esquecidas

às avenidas que um dia brilharam sob néons

há mães que embalam silêncios

há crianças que desenham tanques

onde antes desenhavam árvores

 

A guerra não mata apenas corpos

mata futuros

mata idiomas inteiros

guardados na memória dos nossos avós

 

E quando o estrondo termina

fica o trabalho invisível da dor

reconstruir não só paredes

mas almas partidas

 

Talvez o maior desastre não seja a cidade caída

mas o hábito da violência

a normalidade do horror

o cansaço diante do sofrimento alheio

enquanto houver guerra

haverá um pouco menos de humano no homem

 

E, no entanto

entre escombros

há sempre alguém que partilha pão

que protege um estranho

que planta uma árvore no meio da devastação

 

Talvez seja aí

nesse gesto teimoso de cuidado

que a humanidade ainda resiste

ao pior de si mesma.

 

Mário Margaride

01-03-2026


7 comentários:

  1. Qué cierto todo lo que escribes, Mario.
    Las guerras traen muertes y las personas que siembran las semillas del odio, esas justamente, son las que nunca tocan el campo de batalla.
    Genialmente expresado. Felicidades.
    Un abrazo y feliz día.

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  2. Embora eu compreenda a actualidade do poema, digo simplesmente que os escombros da destruição são memórias de perdas, ruínas que lembram o passado, a fragilidade humana e a necessidade de reconstrução. Em silêncios, o caos revela ares de renascimento.
    Um apelo à paz 🕊️

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  3. Poema lindo, bem estruturado e triste é a guerra que parece não ter fim! Até quando? abraços, linda semana,chica

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  4. Profundo poema. La guerra no hace más que destruir el mundo mientras solo unos pocos se benefician. Te mando un beso.

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  5. Boa noite Mário,
    Um poema magnífico sobre a atualidade, em que os poderosos, usam a guerra por tudo e por nada.
    Uma tristeza infinda, não haver diálogos, consensos, para evitar tal calamidade.
    Por este andar não sei o que nos espera, principalmente as novaa gerações, cujo futuro não se afigura nada risonho.
    Desejo-lhe uma boa semana.
    Emília

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  6. Olá, Mário, que poema maravilhoso, cheio de verdades!
    O mundo está envolto em ódio, mandam mísseis, e acabam
    com crianças e gente inocente que nada têm a ver com
    as loucuras, com tanto ódio e gente que só vê um sentido em suas vidas:
    o poder! Os imperadores do mundo. A coisa está se alastrando muito e rapidamente, não sei no que vai dar. Pobre planeta.
    Aplausos para um poema de tantas verdades.
    Beijo e paz, amigo.

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  7. Every war destroys a little bit of each of us, pacifist people.
    (ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.

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