Em cada esquina do silêncio
suspiram ecos antigos
gritos que não ousaram nascer
que ficaram presos nas gargantas
nas sombras do olhar
O silêncio
esse peso invisível
se espalha como nevoeiro
pesado, cortante
quase imortal
Mas por trás dele
se esconde a indignação
que nos fura a pele
com farpas de um grito mudo
É o olhar que não se cruza
a palavra que não se diz
o abraço que não se dá
Tudo isso se acumula
como um veneno que devora
em pequenas doses
afogando o que resta da dignidade
E a alma
em silêncio, geme
o corpo sente a agonia
de um eco que não cessa
de um vazio que corrói
mais do que qualquer palavra dita
O silêncio é uma sentença
uma cárcere sem muros
E o mais inquietante
é saber que ele fala
sempre fala
mas ninguém ouve.
Mário Margaride
05-04-2026

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