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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

AQUELE ABRAÇO

 

Há um idioma que não se aprende nos livros

nem se conjuga em verbos

vive na pele

o abraço

 

É ponte lançada quando as palavras desabam

é casa improvisada no meio da tempestade

é teto de braços cobrindo

a nudez do medo

 

E quando o mundo pesa nos ombros

e a coragem se esconde em algum canto escuro

um abraço chega

como quem diz

“Fica, eu aguento contigo”

 

Ele não resolve contas

não desfaz perdas

não apaga ausências

mas sustenta o que ameaça ruir

 

Há fragilidades que só se atravessam assim

peito contra peito

coração ouvindo coração

respirações tentando encontrar

um mesmo ritmo

 

No abraço

a dor deixa de ser solitária

divide-se

e, ao dividir-se

fica menor

 

É estranho

como dois corpos podem criar

um espaço onde o medo se aquieta

e a esperança reaprende a caminhar

 

E em momentos de queda

o abraço não é fuga

é raiz

é lembrança silenciosa

de que ninguém precisa ser forte

o tempo todo

 

Porque há dias

em que a maior forma de coragem

é simplesmente

deixar-se envolver.

 

Mário Margaride


2 comentários:

  1. Your words made me remember the power of a simple hug. I could feel the comfort and strength you describe. It reminded me of moments when just being held made everything feel a little lighter.

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  2. É um poema sobre o abraço como linguagem universal de conforto: não cura, mas sustenta, acolhe e partilha a dor. O abraço transforma medo em coragem partilhada, criando um espaço seguro onde o medo acalma e a esperança volta a caminhar. A verdadeira força não é fim de tudo, mas permitir-se ser envolvido e suportar juntos as fragilidades.

    Saudações carnavalescas de Düsseldorf 🤡

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