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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A VOZ E A FORÇA DESTRUIDORA DA NATUREZA


Quando o céu se rasga em gritos de trovão

a noite desce mais cedo sobre as casas

o vento aprende nomes

chama por portas mal fechadas

arranca telhados como quem arranca memórias

 

A chuva não cai, invade

entra pelas ruas

pelos pulmões da terra

leva fotografias

cartas antigas

o pouco pão que sobrou na mesa

 

Cada gota pesa como um presságio

as árvores tombam em silêncio brutal

os rios esquecem as margens

e a água, que antes dava vida

agora cobra dívidas antigas

com juros de medo e lama

 

Há vozes presas nos andares baixos

olhos acesos na escuridão

mãos que seguram crianças

como se segurassem o próprio mundo

à beira de se desfazer

 

E entre escombros e sirenes cansadas

as populações aprendem de novo

a palavra recomeço


É pesada, frágil, mas necessária

para reconstruir abrigo

com o que restou

 

Quando a tempestade partir

não leva só nuvens

fica o chão ferido

ficam os nomes por contar

fica o eco dos que não voltam mais...

 

Mário Margaride

05-01-2026


3 comentários:

  1. Um poema tenebroso e belo sobre tempestade e reconstrução: devastação, perda e memória colectiva, seguido de um recomeço só possível no caminho difícil da reconstrução.
    Abraço amigo, forte e solidário.

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  2. Mario, precioso poema, devastador, la naturaleza se cobra el daño sufrido.
    Siempre es una delicia leerte Poeta.
    Que tengas días felices y Dios quiera que el hombre aprenda a respetar su suelo.
    Besitos Mario

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