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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

PORQUE SERÁ?


A cidade dorme, num sono profundo

lá fora…amanhece rapidamente

corre uma brisa, que nos desperta

do torpor do sono


A azáfama, começa de repente

a correria...toma conta das nossas vidas

absorvendo-nos

engolindo-nos

mais uma vez…


Esquecemos o que nos rodeia

nem sequer, olhamos para o lado

não temos tempo!?

ou simplesmente não queremos ver...!


Ali...alguém que pede esmola

acolá...uma criança abandonada

mais abaixo...um sem abrigo

que há muito perdeu a esperança


É assim na minha cidade

em todas as cidades

em todos os lugares

a história repete-se

esquecemos sempre

o que se passa à nossa volta

como se não víssemos

ou então…

pura e simplesmente ignoramos


Estaremos cegos…!

ou à nossa volta

criamos uma barreira glaciar

que nos gelou…

e nos tornamos insensíveis…!?


Porque será?


Mário Margaride



sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

OS PASSOS DA CONTRADIÇÃO

                                        

                  Há um rumor dentro do peito

que nunca aprende a calar

é feito de perguntas sem dono

de vontades que se negam a ficar


Queremos ficar, mas fugimos

queremos fugir, mas tememos sair

amamos a luz da certeza

mas é no escuro que insistimos existir


Cada passo carrega dois pesos

o medo do erro, o tédio do certo


Construímos abrigos de ideias

mas dentro de nós

os achamos estreitos demais


Somos feitos de “quase”

de promessas que tremem no ar

o que somos agora nos cansa

o que seremos nos faz hesitar


E assim, entre o sim e o talvez

vivemos em constante colisão

uma alma puxada por opostos

aprendendo a respirar na contradição.


Mário Margaride

15-01-2026

Bom fim de semana!

Beijos e abraços!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

SAUDADE

                                        

                  A saudade acorda antes de nós

senta-se à beira do dia

e nos olha em silêncio

sabe o nosso nome

e o peso exato

da ausência do amor


Cada manhã tem uma cor diferente

dependendo do quanto dói lembrar

há dias em que o sol insiste

mas dentro de nós

chove devagar

como se o coração tivesse

aprendido

a nublar


O amor que ficou longe

não foi embora inteiro

ficou nos gestos suspensos

nas frases que nunca terminamos

nos planos que o tempo desfez

sem pedir licença


A saudade molda o humor do dia

ora nos torna frágeis

ora nos fazem fortes por cansaço


Há risos que nascem tortos

há silêncios que gritam

há noites em que sentir falta

é um vazio que dói


E assim vamos vivendo

um dia de cada vez

medindo o tempo pela falta

aprendendo que a saudade

é deixar o coração aberto

mesmo quando ele dói.

                     

                        Mário Margaride


 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

PALCO DAS ILUSÕES

 

            Entre as sombras se escondem os covardes

nos palcos onde representam a ilusão

com sorrisos de sarcasmo e ironia

entre silêncios e aplausos da multidão


Atores que encarnam os papéis

dos mais trauliteiros personagens

onde as cores se pintam com quimeras

no chão mesclado de engrenagens


No palco onde o personagem vai mudando

na ideia, na cor, na subtileza

representam com brilho o seu papel

criando no espectador a incerteza


E assim estes sublimes atores

desempenhando na perfeição o seu papel

iludem o espectador brilhantemente

pintando o surrealismo, sem pincel.


Mário Margaride

                            07-01-2026

Bom fim de semana!

Beijos e abraços!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

PUDERA EU SER

                                     Pudera eu ser mar, poderoso e forte

que nada teme, na sua vastidão imensa!

pudera eu ser pedra que não ri nem pensa

pudera eu ser vento, ser o vento norte!


Pudera eu ser trovão, com o seu poderio

ser luz, ser sol, que ilumina a alma!

uma alta montanha, um imenso rio

trazer no seu leito, o amor, a calma…


Pudera eu ser mundo, enorme, imenso…

tufão, poderoso, que arrasa, intenso!

ser água que lava, o ódio, a miséria…


Ser fogo que aquece, a alma, o coração

ser luz que ilumina, o amor, a paixão

ser por fim…juiz, com justiça…séria!

Mário Margaride