Há artistas da mentira
que pintam o engano com ouro
e fazem do vazio um templo
onde muitos ajoelham sem notar
Têm vozes suaves
como água morna em noites frias
e palavras escolhidas
com a precisão dos ilusionistas
Falam de esperança
como quem oferece abrigo
mas escondem nas mãos polidas
os fios invisíveis da manipulação
Transformam sombras em promessas
e vestem a mentira
com roupas tão belas
que até a verdade hesita
São mestres da encenação
erguem discursos luminosos
sobre alicerces podres
e chamam "salvação"
ao que lentamente nos destrói
E há quem os siga
não por fraqueza
mas porque o coração humano
tem fome de acreditar
Porque a mentira
quando dita com doçura suficiente
ganha perfume de eternidade
e aparência de absoluta razão
Mas a verdade...
essa velha silenciosa...
não precisa de adornos
Chega devagar
descalça
ferida talvez
mas inteira
E quando finalmente entra
derruba o palco
apaga as luzes do espetáculo
e deixa os artistas da mentira
sozinhos diante do espelho
que sempre evitaram olhar.
Mário Margaride
28-05-2026




