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segunda-feira, 20 de abril de 2026

QUANDO O SILÊNCIO GRITA

 

Há um silêncio dentro de mim

que ecoa nos cantos do meu ser

tão vasto, profundo e profundo

que a boca não consegue conter

 

Ele cresce, em turbilhão

como se a alma quisesse fugir

um grito preso, sem direção

mas a garganta não sabe ouvir

 

Eu tento

com palavras pequenas

calar o som que me consome

mas ele ressurge, imenso, urgente

como um mar revoltado que não se esconde

 

A boca é só um pequeno espaço

onde a verdade se encolhe e se esconde

mas dentro, lá dentro

o grito silencioso se expande

 

E o que é silêncio senão um eco

que se recusa a ser ouvido?

um desejo que quebra as correntes

e encontra, enfim, o caminho perdido

 

Por mais que eu tente

não consigo mais calar

o silêncio que mora em mim

que agora começa a falar.

 

Mário Margaride

19-04-2026


sexta-feira, 17 de abril de 2026

RAÍZES DE INQUIETUDE

 

Longas são as noites

onde o barulho persiste

em vez do silêncio

 

Longos são os dias

onde o silêncio ruidoso

nos atormenta a cada instante

 

Negros são os dias

onde o sol não aquece

a calma não aparece

e a escuridão é constante

 

Onde o vento...

como uma lâmina cortante

fustiga o nosso rosto

impiedoso

angustiante

 

Onde nada é claro

e a nossa mente escurece

a serenidade não acontece

num vendaval arrepiante!

 

Mário Margaride

16-04-2026


segunda-feira, 13 de abril de 2026

VAGAS DE ESTUPIDEZ

 

As vagas rebentam

na praia da ignorância

onde a estupidez as espera sorridente

com uma intensa dose de satisfação

 

Olhos vesgos se arregalam

contemplando as ilusões que os esperam

nos muros pintados de insensatez

 

A nudez da vergonha se expõe

à mesquinhez desmedida

da ignorância desenhada no rosto

dos comedores de ilusões

 

As vagas rebentam

na praia prenha, de camaleões.

 

Mário Margaride

sábado, 11 de abril de 2026

RIOS DE ESPERANÇA

  

Choram as rosas

lágrimas de amor

espinhos que sangram

perfume sem fim

nos rios jorram

cristais e rubis

no silêncio das águas

as flores de lis

 

Abrem-se as nuvens

rasgando o silêncio

com gestos contínuos

de contra corrente

o sol que aquece

as nuvens cinzentas

no horizonte emerge...

a esperança presente.

 

Mário Margaride



 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

SILÊNCIOS INQUIETANTES

 

Em cada esquina do silêncio

suspiram ecos antigos

gritos que não ousaram nascer

que ficaram presos nas gargantas

nas sombras do olhar

 

O silêncio

esse peso invisível

se espalha como nevoeiro

pesado, cortante

quase imortal

 

Mas por trás dele

se esconde a indignação

que nos fura a pele

com farpas de um grito mudo

 

É o olhar que não se cruza

a palavra que não se diz

o abraço que não se dá

 

Tudo isso se acumula

como um veneno que devora

em pequenas doses

afogando o que resta da dignidade

 

E a alma

em silêncio, geme

o corpo sente a agonia

de um eco que não cessa

de um vazio que corrói

mais do que qualquer palavra dita

 

O silêncio é uma sentença

uma cárcere sem muros

 

E o mais inquietante

é saber que ele fala

sempre fala

mas ninguém ouve.

 

Mário Margaride

05-04-2026