Ergue-se altiva a sobranceria
vestida de certezas sem razão
caminha sobre pontes de vaidade
e fecha as portas da compreensão
Fala alto, mas pouco escuta
impõe-se sem querer aprender
confunde força com domínio
e saber com mero parecer
Enche o peito de prepotência
não dá espaço para a contradizer
como se o mundo inteiro coubesse
na estreiteza do seu entender
E carregada de arrogância
julga antes mesmo de conhecer
ergue muros onde havia caminhos
e impede os encontros de florescer
Assim se perdem tantas vozes
tantos gestos de boa vontade
sufocados pela ânsia constante
de proclamar uma falsa verdade.
Mário Margaride
19-06-2026




