Há um silêncio dentro de mim
que ecoa nos cantos do meu ser
tão vasto, profundo e profundo
que a boca não consegue conter
Ele cresce, em turbilhão
como se a alma quisesse fugir
um grito preso, sem direção
mas a garganta não sabe ouvir
Eu tento
com palavras pequenas
calar o som que me consome
mas ele ressurge, imenso, urgente
como um mar revoltado que não se esconde
A boca é só um pequeno espaço
onde a verdade se encolhe e se esconde
mas dentro, lá dentro
o grito silencioso se expande
E o que é silêncio senão um eco
que se recusa a ser ouvido?
um desejo que quebra as correntes
e encontra, enfim, o caminho perdido
Por mais que eu tente
não consigo mais calar
o silêncio que mora em mim
que agora começa a falar.
Mário Margaride
19-04-2026




